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Evento cultural agitou a quadra da Portela

10/11/2014

A quadra da Portela foi palco do 1º Encontro dos Departamentos Culturais das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, na tarde deste sábado. Promovido pela área cultural da azul e branca de Madureira, o evento contou com a participação de integrantes de diversas agremiações.

O diretor do Departamento Cultural da azul e branca de Madureira, Luís Carlos Magalhães, destacou para o SRZD-Carnaval a importância da realização do encontro, incentivado a partir da nova administração da agremiação. "A ideia é agrupar os departamentos das outras escolas para juntos trocarmos experiências, sejam os êxitos ou dificuldades. Há um sentimento único de que há muita coisa a se fazer em comum, porque o Carnaval tem uma evolução inevitável, mas temos uma necessidade de preservar os fundamentos das agremiações. E precisamos nos organizar para juntos levarmos a bandeira maior, que é a do samba."

(Da esq. p/ dir.)Luis Antonio, Marília, Luis Carlos e Helena Foto: SRZD

 

Já por volta das 16h, teve inicio a primeira mesa de debate, com o tema "Escolas de Samba, memórias e sociedade", com a participação dos pesquisadores Marília Barbosa, Helena Theodoro e Luis Antônio Simas. Momentos antes da abertura, o presidente da escola, Serginho Procópio, enalteceu a reunião promovida pelo Departamento Cultural da agremiação: "Falar da cultura da escola e dos bambas que fizeram parte da nossa história é muito importante e eu me sinto muito a vontade aqui."

Serginho Procópio Foto: SRZD

Durante o debate, a pesquisadora Marília Barbosa criticou o atual formato dos desfiles das escolas de samba e afirmou que é preciso respeitar a tradição das escolas. "Há uma distanciamento do público porque o produto ficou muito caro. O foco deixou de ser o samba e passou a ser outros aspectos. As escolas estão fazendo desfiles iguais, é sempre a mesma coisa. É importante vincular a modernidade, mas sem perder o lado tradicional, cultivando o samba."

Já para a pesquisadora Helena Theodoro, e também blogueira do SRZD-Carnaval, é muito grave a falta do entendimento dos simbolismos das escolas. "Entender que baianas são importantes e que passistas levam as danças dos orixás nos movimentos faz parte da simbologia da escola de samba, e esse conhecimento está se perdendo hoje."

Marília, Helena e Luiz Antonio Foto: SRZD

Ainda de acordo com Helena, é preciso reconhecer a importância da ancestralidade no mundo do samba. "A oralidade é muito destacada na escola de samba, provoca um poder de pertencimento aos componentes. Valorizar os homens e os sambistas com condição de cidadão é fundamental. Quem não olha pra trás, não consegue olhar para frente."

Encerrando a primeira rodada do debate, o também pesquisador e autor de diversos livros sobre Carnaval, Luis Antônio Simas, alertou as diferenças daquilo que considera como o que deva ser a função principal do departamento cultural dentro das escolas de samba. "O desfile é o evento, mas a escola é a prática da cultura, construção e reconstrução entre pessoas. As escolas precisam pensar muito além do Carnaval."

Logo em seguida, foram abertas as inscrições de perguntas, que contou com a participação do bom público que prestigiou o evento na quadra da azul e branca de Madureira. Momentos depois, o diretor Rogério Rodrigues abriu a segunda mesa de debates. Foi a vez dos representantes de diversas escolas de samba, dentre elas, Sagueiro, União da Ilha, Viradouro, Unidos de Vila Isabel, Mocidade, Caprichosos e da diretora do Centro Cultural Cartola, Nilcemar Nogueira. Eles falaram sobre os projetos culturais que estão desenvolvendo em suas respectivas agremiações, como exposições, publicações, recuperação de acervos, dentre outros assuntos.

Segunda mesa de debates. Foto: SRZD

E ainda durante a reunião na quadra da Portela, o SRZD-Carnaval ouviu a opinião de alguns participantes sobre a realização do primeiro encontro de Departamentos Culturais. Confira:

Helio Ricardo Rainho, blogueiro do SRZD-Carnaval:

Hélio Ricardo Foto: SRZD

"Acho uma iniciativa bastante interessante, porque são as áreas que trabalham pela preservação das tradições e do grande legado da escola de samba. A partir desse encontro, se cria uma consonância desses universos, que muitas vezes atuam distantes. E mais uma vez as escolas primam pela unidade, deixando claro que a disputa fica só na Avenida."

Tiãozinho da Mocidade, compositor:

Tiãozinho da Mocidade Foto: SRZD

"Acho que este tipo de encontro deveria acontecer em todas as escolas para discutirmos nossas raízes. Muita gente está modificando o samba, e se esse resgate não existir, vamos perder a essência da nossa história. É aquela velha máxima de não deixar o samba morrer."

Artur Bernardes, diretor cultural da Caprichosos de Pilares:

Artur Bernandes Foto: SRZD

"Esse espaço é de suma importância para demonstrar o quanto é importante a cultura para a escola de samba. E aqui podemos mostrar os trabalhos que estamos desenvolvendo e o que ainda podemos fazer pelo Carnaval e pelo público em geral."

Documentário faz pré-estreia durante o evento

Diretores George e Vander Foto: SRZD

Última atividade do evento, a exibição da pré-estreia do documentário "O que move o samba-Portela" brindou o público presente. O filme mostra uma visão interna dos acontecimentos que fazem parte da vida dos portelenses nos preparativos para a festa na Sapucaí, e começou a ser produzido um mês antes do desfile do último Carnaval. Os diretores George Salguetto e Vander Lan Correia conversaram com o SRZD- Carnaval sobre o processo de criação do documentário. "A proposta foi exaltar a nova fase da Portela e mostrar para quem conhece o Carnaval o ponto de vista da comunidade, os bastidores e o que acontece antes do dia do desfile. Estamos recebendo muitos elogios pelo filme e esperamos que todos gostem do trabalho."

 

 

Fonte: SRZD



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